Abin defende inovação e soberania tecnológica como prioridades de Estado
Sem inovação e soberania tecnológica, país fica vulnerável a pressões externas, alerta Abin
Data da Publicação da Coluna : 16/12/2025 por Leandro Estevão Gomes
O relatório Desafios de Inteligência – Edição 2026, da Agência Brasileira de Inteligência (Abin), que foi publicado recentemente, acende um sinal de alerta sobre uma nova e silenciosa vulnerabilidade do Estado brasileiro: a dependência de tecnologias estrangeiras em áreas estratégicas como telecomunicações, computação em nuvem e sistemas de defesa. Segundo o documento, essa dependência expõe o país a riscos de coerção e chantagem tecnológica, com potencial de comprometer a capacidade de comando e controle em cenários de crise.
O diagnóstico é claro. A soberania nacional, hoje, não está ameaçada apenas por fatores militares ou territoriais, mas pelo controle externo de infraestruturas digitais essenciais ao funcionamento do governo e da economia. A Abin destaca que a concentração de serviços críticos nas mãos de grandes empresas estrangeiras — sobretudo big techs sediadas nos Estados Unidos — cria vulnerabilidades que extrapolam o campo econômico e alcançam o núcleo da segurança nacional.
Na administração pública, o uso intensivo de serviços de nuvem e softwares fornecidos por empresas como Google, Microsoft e Amazon levanta questionamentos sobre soberania de dados. Mesmo quando armazenadas em servidores localizados no Brasil, essas informações podem ficar sujeitas a legislações estrangeiras, permitindo acesso por autoridades de outros países e esvaziando a jurisdição nacional.
A preocupação se estende ao setor de defesa. O relatório aponta que a dependência de sistemas controlados por potências estrangeiras, como o GPS — operado pelo Departamento de Defesa dos Estados Unidos —, representa um risco operacional relevante. Em situações de tensão geopolítica, a degradação ou negação desses sistemas poderia comprometer operações militares e a capacidade de resposta do país.
Além disso, a Base Industrial de Defesa enfrenta limitações estruturais decorrentes da dependência de licenças, componentes e cadeias de suprimentos externas. A interrupção desses fluxos, seja por sanções ou pressões políticas, pode afetar diretamente a prontidão das Forças Armadas.
A Abin classifica esse cenário como risco de coerção tecnológica, caracterizado não apenas por ameaças diretas, mas pela pressão permanente exercida sobre países dependentes de tecnologias críticas. O Brasil, inserido em uma dinâmica de dependência tecnológica do Ocidente e comercial da China, vê sua margem de manobra estratégica progressivamente reduzida.
Diante desse quadro, o relatório defende que a soberania tecnológica seja tratada como prioridade de Estado. O fortalecimento da pesquisa e desenvolvimento nacional, a ampliação da autonomia da Base Industrial de Defesa e a diversificação de parcerias internacionais são apontados como caminhos para reduzir vulnerabilidades e preservar a capacidade decisória do país.
No mundo digitalizado, a soberania deixou de ser apenas uma questão de território. Passou a depender, cada vez mais, de quem controla os dados, os sistemas e a tecnologia que sustentam o próprio Estado.
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Leandro Estevão Gomes\
Leandro é formado em direito pela PUCPR, pós-graduando em direito ambiental pela UFPR e pós graduando em gestão pública pela UEPG. Também sou estudante de graduação em Letras/ L ibras – Bacharelado – polo de Cruzeiro do Oeste pela UNIOESTE.


