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Seu pet está com fome ou apenas aprendeu a pedir comida?

Entender a diferença ajuda no controle da alimentação



Data da Publicação da Notícia : 24/08/2026 17:05 por Sérgio Dias

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Basta alguém se sentar à mesa para começar uma cena conhecida em muitas casas: o cão se aproxima, direciona o olhar para o prato e espera. Em outros lares, o gato aparece quando uma embalagem é aberta ou passa a vocalizar em determinado horário. A interpretação costuma ser imediata: ele está com fome. Nem sempre, porém, o pedido significa necessidade de alimento.

Cães e gatos aprendem a relacionar comportamentos às consequências que produzem. Quando olhar, vocalizar, tocar o tutor com a pata ou permanecer ao lado da mesa termina com um pedaço de alimento sendo oferecido, o animal pode aprender que repetir aquela ação aumenta sua possibilidade de receber uma recompensa.

O mecanismo ajuda a explicar por que alguns pets parecem pedir comida mesmo depois de terem realizado uma refeição. Se o comportamento funcionou anteriormente, existe motivo para repeti-lo. E nem é necessário que a recompensa aconteça todas as vezes.

Quando o tutor oferece um petisco apenas ocasionalmente após a insistência, pode acabar fortalecendo o hábito. O animal não sabe em qual tentativa receberá alimento e, por isso, continua tentando. Estudos sobre comportamento e obesidade em cães e gatos apontam justamente o reforço intermitente como um dos mecanismos capazes de manter a busca por comida.

A rotina doméstica também participa desse aprendizado. O som de uma embalagem, a abertura da geladeira, determinada cadeira sendo ocupada ou até um horário podem funcionar como sinais de que alimento estará disponível. O pet passa a antecipar a situação antes mesmo que alguém lhe ofereça alguma coisa.

Isso não significa que todo pedido deva ser ignorado. Alterações repentinas no apetite podem estar relacionadas a condições de saúde e precisam ser investigadas. Um animal que passa a demonstrar fome de maneira diferente do seu padrão, principalmente quando há mudanças de peso, consumo de água ou comportamento, deve ser avaliado pelo médico-veterinário.

A questão muda quando o pedido faz parte de um hábito estabelecido. Nesses casos, oferecer comida sempre que o animal solicita pode aumentar a ingestão diária sem que o tutor perceba. Pequenos pedaços distribuídos durante o dia se somam à quantidade de ração ou alimento indicada para as refeições.

Petiscos também entram nessa conta. Eles podem ser utilizados como recompensa, inclusive durante treinamento, mas precisam integrar o planejamento alimentar. A quantidade adequada depende de fatores como peso, idade, nível de atividade e condição de saúde.

Outro caminho é separar atenção de alimentação. Um cão que procura o tutor pode querer interação, passeio ou brincadeira, mas aprender que toda aproximação resulta em comida. Oferecer atividades compatíveis com a espécie ajuda a criar outras formas de interação que não dependam exclusivamente do alimento.

Para os gatos, recursos que estimulem procura, exploração e atividade durante a alimentação também podem ser incorporados à rotina, respeitando o perfil de cada animal.

A pergunta, portanto, não é apenas se o pet está pedindo comida, mas o que ele aprendeu que acontece quando pede. Em muitas casas, o comportamento foi construído na relação entre animal e tutor, repetição após repetição. Antes de colocar mais um petisco no pote, talvez valha observar quem treinou quem nessa história.

Pesquisas sobre obesidade e comportamento alimentar mostram que oferecer petiscos em resposta aos pedidos, mesmo de forma ocasional, pode reforçar a persistência do animal em solicitar comida.