Início Notícia Voltar

| Variedades

Internet avança rápido — e os cuidados precisam correr junto

Exposição da rotina, senhas fracas e até a própria voz viraram portas de entrada para golpes cada vez mais sofisticados; especialista alerta: hoje, segurança digital exige atitude preventiva



Data da Publicação da Notícia : 11/03/2026 16:21 por Usina de Notícias

Divulgação

Banner Topo

A forma como usamos a internet mudou radicalmente nos últimos cinco anos — e os riscos cresceram na mesma velocidade. O que antes parecia inofensivo, como postar a rotina nas redes sociais ou atender uma ligação desconhecida, hoje pode facilitar golpes que envolvem engenharia social, clonagem de voz e fraudes financeiras. O alerta é do professor Anderson Cruz, do curso de Análise e Desenvolvimento de Sistemas da Estácio, que defende: os cuidados com a segurança digital precisam evoluir no mesmo ritmo que a tecnologia.

Segundo o especialista, a exposição constante do dia a dia nas redes sociais criou um cenário fértil para criminosos digitais. “Hoje é comum a pessoa postar a hora que acorda, que almoça, que vai treinar, que sai de casa e que vai dormir. Sem perceber, ela está entregando toda a sua rotina”, explica. Esse tipo de informação, que antes não estava disponível com tanta facilidade, passou a ser usado como base para golpes direcionados, como falsas abordagens bancárias, pedidos de Pix e tentativas de se passar por familiares.

Além da rotina, outro ponto crítico é o uso de senhas frágeis ou repetidas. Nomes de parentes, datas de nascimento e lugares frequentados, muito usados no passado, se tornaram escolhas perigosas. “Hoje é fundamental usar senhas aleatórias, trocá-las com frequência e, se possível, utilizar um gerenciador de senhas. Quando o e-mail principal é comprometido, praticamente todos os serviços ligados a ele ficam vulneráveis”, alerta Cruz. O impacto é direto: prejuízos financeiros, roubo de identidade e longos transtornos para recuperar contas.

Os golpes também ganharam um ingrediente novo e preocupante: a inteligência artificial. O professor chama atenção para ligações silenciosas ou contatos estranhos, que podem ter como objetivo gravar a voz da vítima. “Se a pessoa atende e começa a falar, dizendo nomes ou fazendo perguntas, esse áudio pode ser usado para sintetizar a voz dela. A partir daí, o criminoso se passa por um parente e cria histórias convincentes, como um pedido urgente de dinheiro ou um falso sequestro”, explica. Em um contexto em que redes sociais revelam viagens, laços familiares e hábitos, a combinação se torna ainda mais perigosa.

Diante desse cenário, Cruz reforça que a postura do usuário precisa mudar. “No passado, a gente reagia quando o problema acontecia. Hoje, é preciso ser proativo. Infelizmente, partir do princípio de que pode ser um golpe é uma forma de se proteger”, afirma. Isso inclui desconfiar de ligações inesperadas, não fornecer dados por telefone, ignorar pedidos urgentes de dinheiro e lembrar que bancos não pedem acesso remoto a computadores ou celulares.

A recomendação final é clara: não se trata de abandonar a internet ou parar de postar, mas de usar as ferramentas digitais com mais consciência. Reduzir a exposição excessiva, proteger informações pessoais e desconfiar de abordagens fora do padrão são atitudes simples que fazem diferença. Em um ambiente online cada vez mais veloz e sofisticado, atualizar os cuidados deixou de ser opção — virou necessidade.

 



As opiniões e conteúdo desse artigo não expressam necessariamente a linha editorial do NorteRS ou pensamentos de seus diretores e editores. O conteúdo desse artigo são de inteira responsabilidade do autor.


Os comentários são de inteira responsabilidade de seus autores e não representam a opinião deste site. Se achar algo que viole os termos de uso, denuncie.