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Radioterapia reduzida aumenta o conforto dos pacientes
Novos protocolos encurtam tratamento em até 70%, conforme estudos recentes
Data da Publicação da Notícia : 16/01/2026 15:58 por Luiz Affonso Mehl
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Um novo protocolo de radioterapia para câncer de próstata pode reduzir em até 70% o tempo de tratamento da doença. A pesquisa que deu origem ao método, batizado de radioterapia ultra-hipofracionada, foi apresentada pela primeira vez na edição de 2025 do congresso da Sociedade Europeia de Radioterapia e Oncologia (Estro), realizado na Escócia. O ensaio clínico, intitulado de HYPO-RT-PC, acompanhou 1.200 homens com câncer de próstata por uma década.
Segundo os pesquisadores da Universidade de Lund, na Suécia, responsáveis pela pesquisa, a nova versão do protocolo consiste em sete sessões distribuídas em duas semanas e meia, enquanto o esquema padrão envolve 39 sessões ao longo de oito semanas.
Após dez anos de acompanhamento, 72% dos pacientes do grupo de curta duração permaneceram livres de falhas no tratamento, contra 65% do grupo tradicional. A taxa de sobrevida geral dos grupos ficou em 81% e 79%, respectivamente. A mortalidade específica por câncer de próstata foi de 4% em ambos.
Nos últimos anos, técnicas como a radioterapia hipofracionada e a radioterapia intraoperatória vêm tornando a rotina do paciente oncológico mais prática. Esses métodos concentram doses maiores de radiação em intervalos menores, reduzindo o número de visitas ao hospital. Centros especializados no Brasil e no exterior já aplicam esses protocolos em tumores de próstata, mama e pulmão.
Demanda por radioterapia deve crescer 41% até 2030
A Sociedade Brasileira de Radioterapia publicou o Relatório RT2030 com projeções para a próxima década. O documento aponta que 333 mil pacientes oncológicos vão precisar receber radioterapia por ano em 2030, um aumento de 41% na demanda.
Programas educativos sobre prevenção do câncer de cólon e reto e outros tipos da doença integram ações nas unidades de saúde como forma de informar a população e incentivar o diagnóstico no estágio inicial, apontado pelas autoridades de saúde como medida necessária para aumentar as chances de cura e a qualidade de vida dos pacientes durante o tratamento.
Entre 2018 e 2023, o DataSUS registrou 964.857 autorizações de procedimentos ambulatoriais de alta complexidade (APACs) para radioterapia. O sistema atendeu um total estimado de 701.262 pacientes no período. Os custos aumentaram de R$ 402 milhões em 2018 para R$ 622 milhões em 2023. A média de custo por procedimento subiu de R$ 1.552,05 em 2018 para R$ 4.440,14 em 2023, conforme dados do DataSUS.
O câncer de mama foi o mais prevalente, representando 24,6% dos casos de radioterapia. O de próstata ficou em segundo lugar, com 17,4% dos casos. O Instituto Nacional de Câncer (Inca) estima 71.730 novos casos de câncer de próstata por ano no país.
O tumor é o mais frequente entre homens, excluindo tumores de pele não melanoma. Hábitos saudáveis que ajudam a prevenir o câncer de próstata incluem dieta equilibrada e atividade física regular, segundo organizações de saúde.
Redução de deslocamentos e custos para pacientes
Dados da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) indicam que até 60% dos pacientes oncológicos atendidos pelo Sistema Único de Saúde (SUS) precisam deixar seus municípios para realizar tratamento. O Ministério da Saúde criou auxílio de transporte exclusivo para radioterapia: cada paciente e acompanhante têm direito a R$ 150 para refeições e hospedagem e R$ 150 por trajeto, conforme dados oficiais sobre o Plano de Expansão da Radioterapia (PER-SUS).
Reduzir o tempo de radioterapia significa menos deslocamentos, o que diminui gastos com transporte, hospedagem e alimentação. Entre 2022 e 2024, o número de radioterapias no SUS cresceu 15,4%. O sistema passou de 3.976.414 procedimentos em 2022 para uma projeção de 4.590.651 procedimentos em 2024.
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