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São Paulo tem alta na procura por imóveis usados

Estado registra crescimento acumulado de 5,12% nas vendas de residenciais usados em 2025



Data da Publicação da Notícia : 09/01/2026 11:36 por Luiz Affonso Mehl

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O mercado de imóveis residenciais usados no estado de São Paulo avançou 11,91% em maio, segundo levantamento divulgado pelo Conselho Regional de Corretores de Imóveis de São Paulo (Crecisp). A pesquisa consultou 2.123 imobiliárias distribuídas pelo território paulista.

No acumulado de 2025, as vendas de usados apresentam crescimento de 5,12%. O Crecisp atribui a recuperação ao crédito imobiliário e à confiança do consumidor, conforme declarou José Augusto Viana Neto, presidente da entidade, em nota oficial.

O desempenho do setor alterna períodos de queda e alta desde janeiro. Fevereiro trouxe expansão de 7,84%, março recuou 7,01% e abril voltou a subir 16,20%. Maio manteve a trajetória positiva e consolidou o saldo favorável no ano. Compradores do mercado tradicional e de leilão de imóveis concentram procura na faixa de R$ 200 mil e R$ 300 mil, com preferência por unidades de 2 dormitórios e áreas úteis de 50 m² a 100 m².

Regiões periféricas concentram mais da metade das vendas

Bairros periféricos responderam por 56,7% das vendas de imóveis usados no estado, segundo os dados do Crecisp. Áreas nobres ficaram com 22,5% do mercado e regiões centrais registraram 20,8% das transações.

Famílias procuram imóveis com valores compatíveis à capacidade de pagamento e acesso ao financiamento. A pesquisa indica que 48,5% das compras foram feitas com crédito da Caixa Econômica Federal. Outros bancos entraram com 17,5% dos financiamentos, incluindo modalidades como leilão de imóveis pelo Bradesco. Vendas à vista somaram 20,2% e negociações diretas com proprietários alcançaram 12,2%.

Quanto aos valores finais, 48,1% dos imóveis foram vendidos pelo preço anunciado. Descontos apareceram em 42,2% das transações, a maioria até 10% abaixo do valor inicial. Abatimentos superiores a esse percentual ficaram restritos a uma fatia menor do mercado.  Parte do público opta por comprar imóveis em leilão em SP para obter valores abaixo da média praticada no mercado. 

Casas de 2 dormitórios dominam preferência

As casas representaram 47% das vendas de usados, contra 53% de apartamentos, conforme o levantamento do Crecisp. Entre as casas, unidades com 2 dormitórios alcançaram 55,5% das negociações. Imóveis com 3 dormitórios ficaram em segundo lugar, com 32,2% do total.

Nos apartamentos, a concentração foi maior: 72,2% das vendas envolveram unidades de 2 dormitórios. Apartamentos com 3 dormitórios responderam por 16,1% das transações. Quitinetes e unidades de 1 dormitório somaram 10,5% do mercado.

A área útil preferida fica entre 51 m² e 100 m². Esse intervalo respondeu por 43,2% das casas vendidas e 45,6% dos apartamentos negociados. Unidades menores, até 50 m², tiveram procura mais forte no segmento de apartamentos, onde chegaram a 46% das vendas.

Capital paulista registra 47 mil unidades vendidas no período

A cidade de São Paulo vendeu cerca de 47 mil imóveis entre janeiro e maio de 2025, segundo dados divulgados pela Associação Brasileira de Incorporadoras Imobiliárias (Abrainc). O crescimento chegou a 24% em relação ao mesmo período do ano anterior.

Análises de mercado apontam que o valor total das vendas avançou 47%. O dado mostra que compradores optaram por unidades com maior valor agregado. O segmento econômico teve alta de 54% nas vendas, impulsionado por condições facilitadas de financiamento. Imóveis de médio e alto padrão registraram forte procura em bairros como Moema, Pinheiros e Tatuapé.

A redução no estoque disponível acompanhou o crescimento das vendas. Em bairros valorizados, o estoque caiu de forma acentuada, o que gerou pressão por decisão rápida dos compradores e acelerou a valorização dos imóveis.

Primeiro trimestre teve crescimento ainda maior

Dados do Sindicato da Habitação (Secovi-SP) apontam crescimento de 32,9% nas vendas de imóveis no estado no primeiro trimestre de 2025, em comparação com o mesmo período de 2024. A pesquisa contemplou 41 cidades do interior, da Baixada Santista e da Região Metropolitana de São Paulo.

Consultorias especializadas em inteligência de mercado indicam que praticamente todas as regiões tiveram bom desempenho no início do ano. Apenas Marília, Jundiaí, Presidente Prudente, Franca e Barretos registraram queda.

O Secovi-SP destacou dificuldades relacionadas ao financiamento imobiliário. Ely Wertheim, presidente-executivo da entidade, afirmou que empresas enfrentam obstáculos para acessar recursos destinados a novas obras. A reforma tributária, que entra em fase de transição a partir de 2026, também exige adaptações do setor.

A entidade trabalha em alternativas como o uso de crédito do pré-sal, cujo remanejamento para a habitação está em avaliação pela Caixa Econômica Federal. O economista-chefe do Secovi-SP, Celso Petrucci, mencionou à CNN Brasil a criação de um novo título de crédito imobiliário, nos moldes das debêntures incentivadas.

 



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