| Economia e Política
7 dicas para começar 2026 sem dívidas
Brasileiro mostra melhor relação com crédito no fim de 2024, mas especialistas alertam para ciladas do fim de ano
Data da Publicação da Notícia : 07/01/2026 14:00 por Luiz Affonso Mehl
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A virada de 2024 para 2025 registrou recorde histórico em negociações de dívidas no Brasil. A Serasa divulgou que 10,7 milhões de acordos foram fechados em novembro e dezembro, resultado do maior mutirão já realizado no país. O cadastro de consumidores inadimplentes teve redução de 276 mil nomes em dezembro, quando 5,1 milhões de pessoas quitaram pendências e receberam R$ 27,8 bilhões em descontos.
O Feirão Serasa Limpa Nome reuniu 1.047 empresas em um esforço para reduzir a inadimplência. O valor total das dívidas caiu R$ 6 bilhões, passando para R$ 404 bilhões. O ticket médio de cada pendência teve desaceleração de 1,89%, fechando em R$ 1.465,73.
Apesar dos avanços, dezembro continua sendo mês de risco para as finanças pessoais. Presentes de fim de ano, viagens, ceias e festas pressionam o orçamento quando muitos brasileiros ainda tentam equilibrar as contas. Especialistas recomendam ações práticas para atravessar as festividades sem comprometer o início de 2026.
1. Use o cartão de crédito com consciência
Mais do que indicado, é necessário estabelecer um limite de gastos no cartão de crédito e não ultrapassá-lo. Compras no exterior, realizadas por conta global, podem representar economia em comparação com cartões tradicionais, pois é possível, por exemplo, usar o cartão da conta global como um cartão local, pagando hospedagem, transporte e alimentação com a moeda do país, sem precisar carregar grandes quantias em espécie ou pagar taxas.
Mas é preciso evitar parcelar compras em muitas vezes para proteger o orçamento dos meses seguintes. A preferência deve ser pagar à vista ou em poucas parcelas, garantindo que o valor caiba no planejamento mensal sem apertar as finanças.
2. Faça um diagnóstico completo das finanças
Mapear toda a situação financeira é, basicamente, listar todas as receitas e as despesas para entender para onde cada centavo é direcionado. Educadores financeiros afirmam que a maioria dos brasileiros não sabe exatamente quanto ganha ou gasta e, quando não há conhecimento sobre como o próprio dinheiro é empregado, até um aumento de salário não é percebido. O padrão de vida tende a crescer na mesma proporção, e a sensação de escassez permanece.
A Confederação Nacional do Comércio aponta que 78% das famílias brasileiras estavam endividadas até maio de 2025. A inadimplência atingiu 30,2% dos lares, reflexo do alto custo de vida agravado pela queda de 1,4% no rendimento médio do trabalhador no segundo trimestre de 2025, segundo o IBGE, e pela Selic em 15% ao ano, que encarece o crédito, dificultando ainda mais a organização do orçamento.
3. Elimine desperdícios e gastos supérfluos
Depois de identificar todas as despesas, é hora de cortar o que não agrega valor. Assinaturas de serviços esquecidos são alguns dos itens que aparecem com mais frequência. Tarifas bancárias desnecessárias, planos duplicados de streaming, compras por impulso e pedidos frequentes de delivery também podem consumir recursos importantes.
Especialistas reforçam que cortar despesas não significa viver pior, mas conquistar tranquilidade sem contas atrasadas. Esse exercício libera recursos para quitar dívidas existentes ou formar uma reserva financeira de emergência, evitando novos endividamentos.
4. Forme uma micro-reserva financeira
Mesmo com dívidas para pagar, começar uma reserva de emergência faz diferença. Especialistas definem três pilares fundamentais: reorganizar dívidas, montar uma micro-reserva e adotar um método de controle diário.
Planilhas, cadernos ou aplicativos são os “parceiros” mais comuns para auxiliar no acompanhamento. Recursos acumulados podem ser direcionados para investimentos de renda fixa com liquidez diária, evitando assim recorrer novamente ao crédito caro. Começar guardando apenas 1% da renda já é um primeiro passo, com possibilidade de aumentar quando a situação melhorar.
5. Crie um planejamento detalhado para o fim de ano
Para pesquisadores de ciências contábeis, estabelecer um orçamento específico para as despesas de fim de ano é uma dica menos comum, mas igualmente importante. Evitar ciladas financeiras no período requer planejamento, controle e disciplina para aproveitar as festividades sem comprometer a saúde financeira.
Fazer uma lista de todas as pessoas para quem pretende comprar presentes ajuda, assim como definir um valor máximo para cada presente para, assim, evitar compras por impulso. Impostos e despesas anuais costumam ser esquecidos nos planejamentos, mas podem gerar desequilíbrio financeiro. Especialistas sugerem guardar parte do 13º salário para pagamento de dívidas e compromissos previstos para o próximo ano.
6. Negocie dívidas priorizando as mais caras
Quem já está endividado deve renegociar as dívidas com juros mais altos primeiro. Cartão de crédito e cheque especial lideram essa lista. O Banco Central informou que o rotativo do cartão de crédito ultrapassa 400% ao ano, sendo uma das modalidades mais caras do mercado.
A recomendação de economistas é quitar as dívidas da mais cara para a mais barata e, se possível, formar uma reserva. Às vezes, valores relativamente pequenos, como R$ 500, já evitam um novo endividamento.
Negociar diretamente com bancos e empresas também pode funcionar. A indicação é parcelar a dívida em poucas vezes, no máximo duas ou três parcelas. O parcelamento mínimo da fatura parece atrativo, mas vem com juros rotativos que transformam a dívida em problema maior. Os juros do parcelamento mínimo estão entre os mais altos do mercado, fazendo a dívida crescer rapidamente.
7. Estabeleça metas claras para 2026
Educadores financeiros reforçam que, na hora de estabelecer metas, promessas vagas não funcionam. A diferença entre quem realiza e quem adia está na clareza do plano: viajar é sonho, mas quando se define local, data, valor e quanto guardar por mês, isso se torna meta.
Outra dica para garantir a disciplina é automatizar transferências programadas. Para reservas emergenciais, recomendam-se aplicações de alta liquidez. Objetivos de médio prazo, como reformas ou cursos, podem ser planejados em investimentos com prazos maiores. O segredo não está no valor guardado, mas em como você se comporta em relação a ele.
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