| Economia e Política
Selic ainda em alta muda cenário de investimentos: renda fixa cresce e imóveis ficam em segundo plano
Juros elevados tornam o financiamento mais caro e diminuem a atratividade dos aluguéis, levando investidores gaúchos a buscar fundos conservadores, com melhor retorno e menor risco
Data da Publicação da Notícia : 12/09/2025 14:37 por Ana Paula Melo
Divulgação
A taxa Selic, atualmente em patamar elevado, tem provocado uma reconfiguração no comportamento dos investidores. Segundo um novo estudo da ANBIMA, com a Selic acima dos dois dígitos durante o semestre, a renda fixa segue no topo da preferência dos investidores e responde por 58,9% de todo o volume investido no país. O crescimento foi de 8,2% na comparação com dezembro de 2024, totalizando R$ 4,68 trilhões ao fim de junho.
Com preferência por investir em imóveis, muitos gaúchos, agora, repensam suas estratégias diante da queda na rentabilidade dos aluguéis e do aumento dos custos de financiamento. Segundo Renato Sarreta, líder regional da XP no Sul, o cenário de juros altos torna a renda fixa uma alternativa mais vantajosa. Produtos como CDBs, LCIs, LCAs e o Tesouro Direto oferecem retornos superiores à inflação, com liquidez e segurança, características que têm atraído desde investidores iniciantes até perfis mais conservadores.
“Com a Selic elevada, o custo do crédito encarece e o retorno com aluguel já não compensa como antes. A renda fixa, por outro lado, está entregando rentabilidades reais acima de 1% ao mês em alguns casos”, explica.
Por outro lado, o tempo de maturação e os riscos envolvidos na compra de imóveis, como vacância, manutenção e burocracia, têm levado os gaúchos a buscar alternativas mais ágeis e rentáveis. Bruno Vargas, líder da XP no Rio Grande do Sul, explica que quando a taxa Selic está alta, os investimentos em renda fixa ficam mais atrativos porque rendem mais. Isso acontece porque muitos produtos de renda fixa pagam juros que acompanham a Selic ou outras taxas próximas a ela.
“Com o ciclo de alta da taxa Selic encerrado, e em alinhamento com o time de alocação, entendemos que é fundamental que os investidores mantenham carteiras equilibradas entre as diferentes classes de ativos, mantendo, porém, uma maior exposição em renda fixa, com um mix de ativos pós-fixados, indexados à inflação e prefixados. A recomendação é agir com cautela e seletividade, calibrando a exposição aos diferentes riscos — crédito, prazo e volatilidade de mercado —, considerando as incertezas macroeconômicas e geopolíticas globais de curto prazo, além dos desafios políticos e fiscais no Brasil", comenta Bruno.
A tendência é que o movimento de diversificação e busca por maior rentabilidade se intensifique nos próximos anos, impulsionado pelo avanço da tecnologia, da assessoria personalizada e da democratização do acesso a produtos antes restritos a grandes investidores. Nesse cenário, o papel do assessor de investimentos torna-se cada vez mais estratégico. “O assessor personaliza estratégias baseadas em cada perfil, e auxilia o cliente a alcançar metas, como, por exemplo, a aposentadoria”, finaliza Bruno.
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